Conto: A Doce Camponesa

17.8.13

Sente-se, amigo leitor, pois uma história vou contar. Gosta de histórias de amor? E de humor? Pois prometo que essa não deixa a desejar.
A história de hoje se passa no tempo dos reis, duques e princesas. Todavia, não haverá feiticeiros ou bruxos. Tampoco povos cheios de luxos: Hoje a história é sobre uma simples camponesa.
Vera era seu nome, de sobrenome desconhecido. Seu pai havia adoecido por morrer de fome. Andava só pelas campinas, o que fazia? Me intrigo. Seus cabelos voavam ao vento, dourados como uma plantação de trigo.
O destino escreve por linhas tortas, sim, saber disso é preciso. É o que justifica a entrada de Dom Martim na nossa história.
Vinha ele em seu cavalo, andando todo imponente. Debaixo daquela postura, ninguém desconfiava que ele morria de dor de dente.
- Quem vem lá? - Perguntou a pobre camponesa.
- Um nobre cavalheiro, oh moça indefesa.
Parou o cavalo há alguns metros de distância dela. Mas mesmo tal distância o permitia impressionar-se com moça tão bela.
- Aproxime-se, oh moça dos cabelos cor-de-ouro.
- Mas por que não vem você aqui?
- Cala-te, venha logo tu até aqui.
- Pois a mesma distância é daí à cá!
Dom Martim então se aproximou contrariado:
- O que fazes tão só nesse campo esverdeado?
- Tua curiosidade agora desponta? Perdão desapontá-lo, mas creio que isso não seja da sua conta.
- Mas isso é uma afronta! Não pensava que tamanha beleza pudesse vir de menina tão tonta.
- Perdão, senhor, mas tampoco o conheço...
- Isso se resolve com uma apresentação. Meu nome é Dom Martim, filho de Dom João.
- É uma honra conhecê-lo. Chamo-me Vera, filha de humildes camponeses. Descendente de franceses e por parte, de albaneses.
- Pronto! Conheço-te o suficiente! Já posso pedir tua mão, pois por ti apaixonei-me perdidamente.
A camponesa quase caiu de susto! Logo suspirou de amores por homem tão robusto.
- Oh, Dom Martim, comigo então se casarás?
- Se aceitares, porém posso ver que não recusarás.
O jovem casal se apreciava na campina, porém o que não podiam contar era com o moço que ali vinha.
- Não tão rápido, irmã, isso não pode ser real! Como pode apaixonar-se por semelhante animal?
- Oh, bom Deus, não creio no que vejo! Mas se não é Heitor, o "cara de percevejo"!
Ambos cavalheiros se odiavam, disso Vera não sabia. Mas em tempos passados, travaram uma antiga briga. O motivo? Ninguém sabia.
- Tire as mãos de cima dela! - Gritou o irmão de Vera. - E saia das minhas terras!
- Daqui não saio! Daqui ninguém me tira!
- Se permanecer, mato-te, e isso não é mentira!
- Eu prefiro morrer do que perder a vida!
Deram início a uma batalha, com direito a insultos e espadas. A camponesa não sabia se ria ou se chorava: Rir pelos estranhos trejeitos ou chorar por atos tão funestos.
- Tu tens medo de me enfrentar, sempre deixando a luta para depois! Sois um cão covarde, isso é o que sois!
- Matar-te-ei, Heitor, seu jegue! E com sua irmã me casarei, a mão dela me foi entregue!
O atrito durou ao longo do dia inteiro. Só contou com uma pausa para Heitor ir ao banheiro.
Quando a luta parecia terminar empatada, enfim, Heitor aplicou um golpe mortal derrubando Dom Martim!
- Agora será o teu fim!
A espada entrou-lhe certeira, Dom Martim não teve nem tempo de orar à Padroeira. Enquanto Vera gritava, Heitor somente ria. Riu tanto que teve um ataque, e de felicidade... morria.
Dom Martim, ainda caído, morria lentamente.
- Oh não! Amor meu, como se sente? - Perguntou Vera preocupadamente.
- Comemorar já não poderei meu aniversário em Janeiro...
- Mas por quê?
- Porque nasci em Fevereiro...
- Oh, Dom Martim, sem ti não poderei mais viver!
- Minha Vera, Primevara, amo-te como... como... como a primavera!
- Amo-te pelo que sois, oh minha alma gêmea divina, mas não posso deixar de contestar: Como és tão ruim de rima???
- Perdoe-me, doce dama, mas não permitirei tal zombaria! Deixei os estudos muito cedo para juntar-me à infantaria.
Quanto mais o tempo passava, de Martim mais sangue escorria. A camponesa, ao notar tal fato, chorou, pois sabia que seu amado não duraria nem mais um dia.
- Oh, Dom Martim, amor meu, diga algo que me conforte!
- Em meu leito padeço, em meu destino não tive sorte. Mas se não posso te ter em vida, terei-te então em morte!
Tão logo tais palavras foram proferidas, Dom Martim encravou em Vera um punhal. O golpe foi tão fatal que Vera não viveria nem se tivesse 7 vidas.
- Maldito sejas tu, Martim, que me apunhalaste no baço! Tão nova morrerei, nem tive tempo de perder o cabaço!
E assim termina nossa história, criativa não fui muito. Comecei com todos vivos para terminar com um punhado de defunto!
Mas final feliz foi o do coveiro, que, com tanta gente morta, garantiu trabalho e dinheiro.
Se gostou da minha história, seja um donatário, pois de dinheiro preciso. Mas se não puder doar, deixe um comentário: É o suficiente para extrair-me um grande sorriso. :D
Esse é, definitiavamente, o conto mais louco que já escrevi! ahuahuahah Bem diferente dos romances e dramas aos quais eu estou acostumada. Mas quis fazer algo diferente e gostei do resultado. E vocês? ^^
Maiti.
Comentários
12 Comentários

12 comentários:

Gabriela Cerutti Zimmermann disse... Responder

Estou surtando de tanto rir. Nunca vi conto tão divertido! Maiti, você devia escrever um livro de contos. Sério! Bom demais! :D

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Thami disse... Responder

Adoro histórias, novelas e tudo que retrata a "época antiga"! Já imagino as vestimentas, o cenário e tudo. Adorei essa sua história! Morri de ri aqui hahahaha, muito boa!

xx,
www.likeparadise.com.br

Lola Mantovani disse... Responder

Maiti nunca ri tanto na minha vida, conto criativo demais.
ele foi feito naquele estilo de cordel?
beijos

Lari. disse... Responder

Conto muito, muito, muito bom! Ri muito, haha, e nem estou brincando. As rimas foram demais, e já garanti meu trecho favorito:

"- Aproxime-se, oh moça dos cabelos cor-de-ouro.
- Mas por que não vem você aqui?
- Cala-te, venha logo tu até aqui."

E o final? Perfeito! Sorte do coveiro.

Beijos ♥ Jeito Único

Paloma Viricio disse... Responder

Nossa coitadinhaa! :( kkk Mas é bom diferenciar, né? Gostei das rimas que fez.
Beijos!
Paloma Viricio- Jornalismo na Alma.

Anônimo disse... Responder

Não me surpreendo mais com tamanha criatividade,
Maiti escreve rimas com tanta facilidade.
Falta elogios pra tal obra prima,
Então direi logo antes que alguém me reprima.
Uma grande escritora sei que um dia à de ser,
Com estilo, graça, e beleza ao escrever
Não perca tempo e finalize suas histórias inacabada,
Seria uma pena, um desprazer e por que não? Uma marmelada.
Agora dormirei lembrando de Dom Martin, Heitor e Vera,
Que como a primavera és tão bela quanto... quanto... Flores
É...
Essa não rimou!
E meu leite com Nescau esfriou! =(
Agora me despeço dizendo-lhe mais uma rima,
Duas simples estrofes em duas linhas:
Ler tal conto me encheu de alegria,
Assim como quando estou em sua companhia.

Leandro de Lira disse... Responder

Oi!
Gente, coitada! KKK
Você fez certo em fazer algo diferente. Supostamente fugiu da sua zona de conforto.
Abraço!

"Palavras ao Vento..."
www.leandro-de-lira.com

Penny disse... Responder

^ AHUAHUAHUHAUHUAHUAHHUA já sei até quem é o anônimo! ahuahuah :3

Isabela Cibim disse... Responder

Oi Maiti, você ganhou em uma das colocações do concurso de textos "O Chapeleiro Maluco Apresenta..." do meu blog! Venha vem qual foi sua colocação!
The Garden of Black Roses: Resultado do Concuncurso

Rennan D. disse... Responder

OI, sou novo aqui. Vi a indicação do seu texto no blog Jeito Único da Lari. Adorei seu texto! Muito engraçado.

"Maldito sejas tu, Martim, que me apunhalaste no baço! Tão nova morrerei, nem tive tempo de perder o cabaço!" Tem como não rir com essa parte? kkkkkkkkkkkkkkkk Parabéns!

Sel disse... Responder

Que engraçado! kkkkk ><' Putz, eu achei que Vera ia terminar com o coveiro! kkkk Bem que eu queria fazer alguma rima aqui, mas não sou tão boa... :c A parte que eu mais gostei foi:
"- Comemorar já não poderei meu aniversário em Janeiro...
- Mas por quê?
- Porque nasci em Fevereiro..." kkkkkkkkkkkk ><' #RisosEternos
Que blog perfeito, o seu, Maiti! ~seguindo~
Ah, outra coisa: meu sonho é cursar Ciência da Computação e eu vi que você estuda, então será que você pode fazer uma postagem explicando como é? :3
Bjo, Sel ;*

Jovens Gordinhas
Unicórnio com Bigode

Anônimo disse... Responder

Muito Bom. onde eu faco a doacao?
SDOR

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