O Frio

1.10.11

Eu realmente não sei, não sei mesmo, o que acontece comigo nesses dias frios. O inverno é a época do ano que eu mais amo, mas mesmo assim, sentir o que eu sinto às vezes não me faz muito bem. Me intriga.

"I am the son, I am the heir of a shyness that is criminaly vulgar. I'm the son and the heir Of nothing in particular."

O que acontece é que toda a vez - toda mesmo - que eu estou andando na rua, indo para qualquer lugar, e o tempo está frio, e ventando, eu sinto a mesma coisa: NOSTALGIA
Mas não é uma nostalgia normal. Geralmente, a gente entende por nostalgia quando sentimos falta de algo que vivemos e já passou. A minha nostalgia é diferente. É estranha. É tipo um flashback.

"You shut your mouth, How can you say I go about things the wrong way?
I am human and I need to be loved just like everybody else does."

Eu estou descendo a rua de casa e eu olho o horizonte. Eu vejo o céu cinzento, vejo as árvores no campo ao longe. Vejo também algumas casas que foram construídas recentemente. E eu sinto o vento frio batendo no meu rosto, brincando com os meus cabelos. E é aí que eu me lembro...

"I am the son, I am the heir Of a shyness that is criminaly vulgar. I'm the son and the heir Of nothing in particular..."

Três pessoas andando na rua movimentada, três jovens: duas garotas - uma loira e a outra morena -, e um rapaz no meio delas, abraçando as duas. Os três riem de alguma piada particular. Eles estão vestidos de preto, como os rockers se vestiam nos anos 80: com jeans surrados, botas pretas de cano curto nos pés, jaqueta preta de couro com tachinhas. E muitos acessórios. A morena, eu enxergo bem, usa muitos colares, um sobrepondo o outro. Ela está com as mãos nos bolsos da sua jaqueta.

"You shut your mouth, How can you say I go about things the wrong way?
I am human and I need to be loved just like everybody else does."

As moças usam os cabelos compridos e cheios, com permanente. Os cabelos do rapaz também são um pouco cheios, moda da época, que deve ser por volta do começo dos anos 80. 1984, talvez. Eu não sei.


"There's a club if you'd like to go, You could meet somebody Who really loves you
So you go and you stand on your own, And you leave on your own,
And you go home, And you cry and you want to die"

Eu não vejo seus rostos. Eu não consigo ver. Eu só sei que riem. Eu sei que a morena usa um forte batom vermelho, mas eu não consigo fixar a imagem do seu rosto. E é ela quem mais me intriga. Eu a conheço.

"You say it's gonna happen now, But when exactly do you leave?
See, I've already waited too long And all my hope is gone."

Eu não sei quem eles são. Eu não sei por que eu penso neles nos dias frios. Mas eu sinto... Eu conheço essa morena. Eu não vejo seu rosto. Mas eu sinto que ela... sou eu.

"You shut your mouth, How can you say I go about things the wrong way?
I am human and I need to be loved just like everybody else does."

E eu sinto falta disso. Sinto falta dessa época. Quando o vento frio sopra no meu rosto, dependendo do lugar onde eu estou, eu lembro imediatamente dessa cena. E, alguns meses atrás, ela se completou como uma chave que abre um cadeado quando eu ouvi How Soon Is Now?, do Smiths. Parece que isso era o que faltava para que a lembrança se tornasse mais real.

A sensação é de saudade imensa. Como pode ser se isso ocorreu nos anos 80, e eu só tenho 18 anos? Eu sinto falta de um passado imaginário. Eu não inventei propositalmente, a cena simplesmente vem em minha cabeça nos dias frios. Podem me chamar de louca, talvez eu seja. Mas eu realmente gostaria de saber por que eu sinto isso: A saudade de um passado que eu não vivi.

Ou, ao menos, eu acho que não.
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